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O encanto dos livros passou por Brazlândia. A Jornada Literária esteve lá

A Jornada Literária continua seu trabalho de formar leitores no Distrito Federal. Depois que o Teatro Sesc Newton Rossi, em Ceilândia, recebeu cerca de 12 mil alunos e professores das escolas públicas entre 14 e 17 de agosto, na última semana foi a vez de Brazlândia. Lá o projeto foi promovido pela Coordenação Regional de Ensino de Brazlândia e realizada pela Associação Jornada Literária do DF em conjunto com a MB Cultura e apoio da Biblioteca Pública da cidade.


Desta vez, mais de nove mil alunos e professores de 30 escolas urbanas e da área rural assistiram a palestras, oficinas e conversaram bastante com dez autores de literatura infantil e adulta ( Renato Moriconi, César Obeid, Marília Pirillo, Marco Miranda, Alessandra Roscoe, João Bosco Bezerra Bonfim, Alexandre Pilati, André Giusti, Ivan Zigg e André Rocha) e também com os repentistas Chico de Assis e João Santana.


Jornada em Brazlândia: 9 mil alunos em 5 dias (Fotos Cicerone Bezerra)

Para formar leitores, a produção da Jornada Literária aposta, principalmente, no contato do autor com o público, atividade que ocupa 90% da programação do evento. “Sem dúvida alguma a proximidade com um escritor incentiva o aluno a ler. A presença do escritor, a conversa com o ‘fazedor de livros’ cria um encanto a mais com os livros. Quando adolescente meu sonho era conhecer Pedro Bandeira, o responsável pelo meu primeiro livro lido”, lembra a professora Virgínia Tatagiba Carvalho. “A presença de escritores para palestras ou mesmo uma roda de conversa com os alunos em uma sala de aula criaria esse encanto que tanto nossos jovens leitores precisam”, acrescenta Virgínia, sugerindo a presença maior de autores no dia a dia da escola, porque, segundo ela “o brilho no olhar das crianças é impagável”. “No caminho de volta para a escola a conversa dentro do ônibus era sobre isso, e os olhinhos deles brilhavam de felicidade. Isso nos motiva na profissão”, conta, alegre, Paulo César Soares Loureiro, outro professor da rede pública em Brazlândia, dizendo, inclusive, que o tempo de cada autor com os alunos poderia ser até maior (na média, cada apresentação durou 50 minutos). Paulo César, cuja turma assistiu a João Bosco Bezerra Bomfim falar sobre redação para vestibular, vai além nas sugestões. “O escritor, no final da palestra, poderia pedir para os alunos treinarem o que aprenderam ali e dois meses depois teríamos um novo encontro para saber o desenvolvimento dos alunos, tirar dúvidas, etc”.


Professores sobre a Jornada: “O brilho no olhar das crianças é impagável”

Renato Moriconi, um dos autores participantes da etapa Brazlândia da Jornada Literária, comenta que o autor também ‘recebe’ muito quando vai a um evento como esse. “Eu também me sinto muito cativado quando vou lá, é uma troca de afetos. As crianças vêm, abraçam. Os adolescentes, mesmo que mais distantes, mostram afeito nas palavras. Essa conquista é dos dois lados. Eu também fui conquistado por eles”, resume.


Moriconi acha possível que os alunos tenham sido mesmo motivados a ler após se encontrarem com os autores, mas acredita ainda mais que os que estavam na Jornada foram para lá por causa de uma motivação anterior pela leitura. E aí, ele deixa um recado aos professores e ao Estado. “Eu espero que os professores desses leitores que a gente cativa tenham sido também cativados, porque eles é que vão dar continuidade a esse processo de introdução da leitura, do livro. É parte de uma política pública que que não deve ficar num dia só, deve ser estendido para a facilitação do encontro dessas pessoas com os livros, seja na biblioteca da escola, dos bairros, e que os livros cheguem às casas deles mediante essas políticas públicas de disseminação da literatura, da arte de maneira geral”, frisa Moriconi.


Moriconi espera que professores também tenham sido cativados pela Jornada

A Jornada em Brazlândia teve uma peculiaridade: alcançou muitas crianças e jovens que moram em áreas rurais. Mas isso, na verdade, não significou diferença. “Precisamos quebrar esse pensamento de que o aluno da zona rural não lê ou lê menos. É certo que existem muitos jovens sem acesso ao livro, mas isso é uma mazela geral. Nossos jovens, principalmente de ensino médio têm o mesmo nível de interesse pela leitura quanto o de zona urbana. Me arriscaria a dizer, pela experiência que tive em outras cidades, que, às vezes, até mais. O impacto é extremamente positivo, não por ser zona rural, mas por transformar a leitura e a literatura em algo mais palpável e menos inatingível”, adverte a professora Virgínia.


A próxima parada da Jornada Literária será em Sobradinho. Lá, autores, alunos e professores estarão juntos de 24 a 27 de setembro. Que nasçam, então, mais leitores!