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Seminário “Jornada do Cordel” debate salvaguarda e reforça desafio de levar a arte verbal às escolas

  • Foto do escritor: Jornada Literária
    Jornada Literária
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

Atualizado: há 7 minutos


O Seminário “Jornada do Cordel – Patrimônio Cultural do Brasil”, realizado nesta sexta-feira (6), na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, reuniu cordelistas, pesquisadores, professores e gestores públicos em um balanço sobre os avanços e os desafios da política de salvaguarda da Literatura de Cordel, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.


A programação abordou temas centrais como mecanismos de salvaguarda, difusão do cordel nas escolas e diversidade de vozes. A abertura do evento também marcou o lançamento da cartilha Meu Caderno de Cordel e a apresentação dos vencedores do Concurso Leandro Gomes de Barros de Literatura de Cordel, iniciativa nacional da Associação Cultural Jornada Literária do DF, que recebeu mais de 120 inscrições.


“O Estado brasileiro tem muito que aprender com os detentores do cordel”

Presente na cerimônia de abertura, o coordenador-geral de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares do Ministério da Cultura, José Pedro, destacou a importância do seminário para o MinC e afirmou que a política cultural precisa se aproximar das práticas tradicionais já existentes nos territórios.


É uma honra para o Ministério da Cultura estar presente nesse seminário, aprendendo com a literatura de cordel e com os seus detentores, mestres e mestras das culturas tradicionais populares”, disse. Para ele, o poder público tem uma tarefa clara: reconhecer que o cordel já desenvolveu, historicamente, tecnologias próprias de transmissão, circulação e permanência.


“O Estado brasileiro, e o Ministério da Cultura em especial, tem muito que aprender com esses conhecimentos, com essas práticas, com as tecnologias e com o que os cordelistas já fazem nos seus territórios”, completou.


Iphan destaca parceria com sociedade civil e papel da Jornada Literária

Representando a presidência do Iphan, o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial, Deyvesson Israel Gusmão, ressaltou que sediar o encontro é parte do papel institucional do órgão como articulador de políticas de salvaguarda do patrimônio imaterial.


É uma grande satisfação que esse evento esteja acontecendo aqui na nossa sede”, afirmou. Ele definiu o cordel como um dos bens culturais mais representativos do país, com presença nacional e forte enraizamento social.


“O Iphan é o órgão responsável por articular entes governamentais e não governamentais em favor da salvaguarda do patrimônio imaterial, inclusive da literatura de cordel, que é, certamente, um bem dos mais representativos da cultura brasileira, presente em quase todo território nacional”, declarou.

Deyvesson também enfatizou o papel da Associação Cultural Jornada Literária do DF, responsável pelo projeto em parceria com o Iphan.


A Associação Cultural Jornada Literária tem um papel fundamental e importantíssimo, que é o de não só realizar as ações, mas de promover a literatura de cordel. E o seminário é um local privilegiado para isso”, disse.


“O cordel é dinâmico, não pode ficar parado”, afirma Anilda Figueirêdo


Uma das presenças celebradas no seminário foi a da poeta cordelista Anilda Figueirêdo, integrante da Academia dos Cordelistas do Crato (CE) e jurada do Concurso Leandro Gomes de Barros.


Ao comentar a importância do encontro, Anilda afirmou que esse tipo de evento fortalece a continuidade do cordel como prática viva, e não como peça de museu.

Isso é maravilhoso e nos dá assim mais uma fortaleza sobre o cordel. Porque o cordel tem que ter isso, o cordel é dinâmico, não pode ficar parado”, destacou.

Ela também ressaltou que o seminário ajuda a ampliar o conhecimento sobre iniciativas coletivas de preservação e circulação do cordel, como a própria Academia do Crato.

As pessoas têm que saber que existe uma academia que trabalha com o cordel, que cuida do cordel”, disse.


Anilda destacou ainda a presença internacional do gênero, lembrando que a produção circula e é estudada em universidades estrangeiras.

Nós temos cordéis que já foram, que são estudados na Sorbonne, em Poitiers, em universidades de Portugal, na Alemanha, nos Estados Unidos”, lembrou, reforçando que esse reconhecimento projeta o cordel como patrimônio literário e cultural em escala global.


Cordel na infância”, defende Susana Ventura

No debate sobre difusão e leitura, a escritora Susana Ventura, presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), defendeu que o cordel precisa ampliar sua presença nas escolas, especialmente na infância, como condição de continuidade.


É preciso chegar na infância para mostrar o que é o cordel. “Se não chegar na escola, a arte morre”, assinalou.


Para Susana, políticas públicas de livro e leitura já oferecem caminhos concretos, como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).

Através das compras governamentais do PNLD, o cordel chega à parte da população que mais vai precisar entender para perpetuar e salvaguardar, que é exatamente a infância”, disse.


Ela também associou o tema à democratização do acesso e ao reconhecimento da dimensão erudita existente no saber popular.

“Esse evento da Jornada do Cordel é extremamente importante, por essa necessária democratização, chegada do cordel para a população. É o reconhecimento da erudição da sabedoria que passa por essa forma”, declarou.


Salvaguarda é ampliação: “No caso do cordel, a lógica é inversa”

Ao longo do seminário, o conceito de salvaguarda apareceu como eixo transversal. O coordenador técnico da Jornada do Cordel, João Bosco Bezerra Bonfim ressaltou que, diferentemente do patrimônio material — onde salvaguardar costuma significar conservar —, no cordel “a lógica é inversa: salvaguardar é amplificar”, apontou.



Declamação de Donzílio reforça dimensão oral do cordel


Além das mesas e falas institucionais, a abertura do seminário reservou espaço para a performance — elemento central da literatura de cordel enquanto arte verbal. O poeta Donzílio, de 92 anos, declamou um cordel de sua autoria, marcando a força da arte da palavra na conexão entre ritmo, voz e presença cênica.




Concurso Leandro Gomes de Barros premia novos nomes e reforça legado histórico

Um dos destaques do seminário foi a premiação do Concurso Leandro Gomes de Barros de Literatura de Cordel, que reconheceu dez autores — cinco com menção honrosa e cinco premiados com publicação e prêmio em dinheiro.



O poeta Chico Silva, terceiro colocado no concurso, viajou de João Pessoa para participar do evento e definiu a premiação como um gesto que conecta passado e futuro.

É difícil até de medir a importância desse evento. Já começa levando o nome de Leandro, o santo nome de Leandro Gomes de Barros”, afirmou.


Segundo ele, o concurso ajuda a reposicionar o cordel no imaginário nacional e a reconhecer os novos autores que atuam hoje em diferentes frentes.

Valorizar os nomes que estão surgindo no cordel, quem está batalhando pelo cordel, quem está levando o cordel para a sala de aula, quem está levando o cordel para o dia a dia”, disse.

Chico também defendeu o cordel como porta de entrada para outras leituras e visões de mundo.


Vencedores do concurso: premiados e menções honrosas


O roteiro do cerimonial detalhou a lista completa de autores reconhecidos.

Menção honrosa (6º ao 10º):

  • 10º lugar: A Grande Peleja de Francis Bacon com Chico Toucinho — Jénerson Alves de Oliveira

  • 9º lugar: O Fantasma da Porteira — Telma Almeida de Oliveira Braga

  • 8º lugar: Baião de Dois — Marilia Tresca Silva Telles de Mello

  • 7º lugar: O “A” semeado num pé de Jucá vingou bê-á-bá — Mauro André Oliveira

  • 6º lugar: Corrimão: o Camaleão Cordelista — Aline Laversveiler Guedes Ferreira

Premiados (1º ao 5º):

  • 5º lugar: Mundo das Bonecas de Pano — Marta Betânia da Silva

  • 4º lugar: Marca da Serpente — Maurício Cavalheiro

  • 3º lugar: A História de Turmalina — Everton Francisco Silva de Araújo 05022026Roteiro do Cerimonial d…

  • 2º lugar: Vai começar o Itã da Mãe Nanã — Rodrigo Miranda Pordeus

  • 1º lugar: Contatos imediatos nas veredas do cordel — Hélio Alexandre Silveira e Souza


Salvaguarda como ampliação: o cordel entre oralidade, folheto e escola


Ao longo do seminário, a ideia de salvaguarda apareceu como eixo transversal: não apenas preservar, mas ampliar circulação, leitura, escuta e transmissão. No cordel, a continuidade passa tanto pelo folheto impresso quanto pela oralidade e pelo fortalecimento dos detentores.


O encontro reforçou, sobretudo, o desafio de fazer o cordel avançar para além do reconhecimento formal e alcançar de forma estruturada a formação docente, o currículo e a infância — condição decisiva para que a tradição permaneça viva.


Informações: (61) 98192-0333

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