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Memória coletiva e Patrimônio vivo: Inventário da Festa do Morango é entregue em Brazlândia

  • Foto do escritor: Jornada Literária
    Jornada Literária
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 11 horas


Na região administrativa de Brazlândia (DF), onde o aroma do morango anuncia histórias antes mesmo de serem contadas, a tradição agrícola ganhou registro permanente na noite dessa quinta-feira, 19 de março. Em uma cerimônia, realizada na sede da Associação Rural e Cultural Alexandre de Gusmão (ARCAG), foi entregue o Inventário Participativo da Festa do Morango de Brazlândia, projeto que transforma décadas de memória em patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal.


Realizado pela Associação Cultural Jornada Literária do DF em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Inventário Participativo da Festa do Morango é o resultado de um mergulho profundo nas raízes da região. Em Brazlândia, o morango não é apenas uma hortaliça; é o fio condutor de uma trama que une famílias japonesas, migrantes nordestinos, pioneiros e novos assentados.


Construído a partir da escuta de mais de 60 pessoas em entrevistas e rodas de conversa com pioneiros, produtores, técnicos da EMATER-DER e representantes de entidades rurais, o inventário apresenta a festa como um processo histórico e social, que articula produção agrícola, organização comunitária e convivência entre gerações. A publicação, com 12 capítulos, é também um instrumento pedagógico e de salvaguarda cultural, conectando o passado da ocupação rural ao futuro da agricultura familiar na região.



Durante a cerimônia, o presidente da ARCAG, José Luiz Yamagata, destacou o caráter coletivo do trabalho e o valor simbólico do registro. Segundo ele, o livro “resgata a memória de quem veio antes e reconhece o valor da Festa do Morango na história de Brazlândia”, além de representar um convite para que novas gerações conheçam e preservem essa trajetória.

“Este inventário nos faz pensar em uma pergunta simples e forte: Se a gente não contar essa história, quem é que vai saber que a gente existe?", diz Luiz Yamagata.

A diretora-executiva da Emater-DF, Loislene Trindade, enfatizou o papel da assistência técnica na consolidação da produção local e na construção dessa história.


“Contar o passado é entender o que vamos construir no futuro. Brazlândia tem uma força produtiva que precisa ser reconhecida e valorizada”, afirmou, ao destacar a presença contínua da instituição no desenvolvimento da região.


Representando o Iphan no Distrito Federal, o superintendente Thiago Pereira Perpétuo ressaltou que o inventário integra uma política mais ampla de valorização das narrativas locais.

“A gente sente muita alegria de estar, a partir desse tipo de projeto, vendo todas as outras narrativas que compõem a história da formação da sociedade brasileira e da sociedade do Distrito Federal”, disse.

Já Luciana Lima, administradora regional de Brazlândia, exaltou a importância do registro histórico para a comunidade local.

“É motivo de orgulho ter todas essas memórias eternizadas nesse inventário para que a nossa história nunca se perca na linha do tempo."


O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, destacou a contribuição dos imigrantes japoneses para o desenvolvimento da cultura do morango na região.

"Este inventário, elaborado por meio de uma colaboração entre os setores público e privado, em parceria com o Iphan, possui grande relevância por registrar de forma sistemática a história e o valor cultural do da Festa do Morango.”

O escritor e coordenador do projeto, João Bosco Bezerra Bonfim, usou a poesia para expressar a riqueza dos encontros que resultaram na elaboração do livro.

"O Inventário organiza a memória; reconhece a dimensão coletiva e favorece a visibilidade dos saberes locais. São raízes que a gente planta, memórias que a gente guarda, futuro que a gente faz”, celebrou.


Em sua fala, o presidente do Iphan, Leandro Grass, sublinhou o caráter participativo da iniciativa e a centralidade da comunidade no fazer cultural e patrimonial.

“Quem diz o que é patrimônio é o povo. Este inventário é a história das famílias, dos produtores, de quem construiu essa festa ao longo do tempo”, ressaltou, lembrando que o material será distribuído em escolas e disponibilizado em formato digital, ampliando o acesso e fortalecendo a educação patrimonial.


"Este livro tem que estar com os professores, com os alunos. Os alunos de Brazlândia precisam saber da sua história, da história de Brazlândia, do Distrito Federal e da história do Brasil contada por brasileiros, finalizou.


A cerimônia reuniu ainda representantes de cooperativas, associações rurais e assentamentos evidenciando o caráter coletivo da Festa do Morango. Mais do que um registro técnico, o Inventário Participativo consolida a identidade de Brazlândia como território cultural, onde tradição, trabalho e memória se entrelaçam — garantindo que a história cultivada no campo continue a ser reconhecida e transmitida às próximas gerações.

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