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Entre o Cerrado e a cidade: agrofloresta, morango e “plantação de água”

  • Foto do escritor: Jornada Literária
    Jornada Literária
  • 24 de fev.
  • 2 min de leitura

No dia 13 de fevereiro, a equipe responsável pelo Inventário Participativo da Festa do Morango de Brazlândia realizou visita ao sítio de Samuel Gomes Moreira, localizado no Assentamento Canaã. A atividade integra o conjunto de ações de escuta e registro que compõem o processo de construção do inventário.


Samuel chegou ao acampamento que deu origem ao assentamento aos 21 anos. Desde então, vem desenvolvendo um trabalho voltado à transição agroecológica. Em sua chácara, contribuiu para a implantação de cerca de sessenta sistemas agroflorestais, substituindo áreas anteriormente ocupadas por monocultivo de eucalipto por consórcios de espécies nativas e cultivadas. O modelo, que ele define como “plantação de água”, busca restaurar o solo, proteger nascentes e fortalecer o equilíbrio ambiental do território.


O morango integra esse sistema produtivo. Em um dos anos recentes, foram cultivados aproximadamente quatro mil pés, distribuídos entre bananeiras e hortaliças, em um arranjo que combina diversidade agrícola e preservação ambiental.


Apesar dos avanços, os desafios permanecem significativos. A comercialização do morango orgânico ainda encontra mercado restrito. Entre as alternativas está o modelo “colha-e-pague”, já adotado por alguns produtores da região, conforme dados da EMATER-DF.


Fotos: Ana Povoas


Samuel também aposta na venda por meio da CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura), sistema baseado na relação direta entre produtor e consumidor. No entanto, mesmo esse formato não elimina vulnerabilidades estruturais enfrentadas pelos agricultores familiares.

Na safra de 2025, os impactos foram evidentes. O alto custo dos insumos impossibilitou a cobertura dos canteiros durante o período chuvoso, comprometendo parte da produção. A transição agroecológica demanda investimentos contínuos em infraestrutura, enquanto o crédito rural disponível ainda se mostra insuficiente para atender às necessidades do setor.

Mesmo diante das dificuldades, Samuel e sua família, com o apoio de amigos e parceiros, seguem firmes na produção agroecológica, mantendo o compromisso com práticas sustentáveis e com o fortalecimento da agricultura familiar no território.


O Inventário Participativo da Festa do Morango da Região Administrativa de Brazlândia é executado pela Associação Cultural Jornada Literária do DF, por meio do Termo de Execução Cultural nº 01/2025, firmado com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


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