Para autores, Jornada se diferencia no tratamento da leitura

A 3a. edição da Jornada Literária do Distrito Federal reúne até esta sexta-feira, 17, 24 autores, entre adultos, infanto-juvenis, ilustradores e quadrinistas para uma tarefa pra lá de prazerosa: conversar sobre livros e literatura com alunos e professores das escolas públicas do DF. Desde ontem se apresentando em oficinas, rodas de conversa e poesia ou em espetáculos no Teatro Sesc Newton Rossi, uma impressão parece permear as opiniões desses autores sobre a Jornada, promovida com verba de Fundo de Apoio à Cultura, FAC-DF, e correalizada pelo Sesc. Veja o que dizem alguns deles.


"Eu acho que a Jornada se consolida como um evento que realmente prima pela formação do leitor e pela formação do leitor pelo prazer de ler. Isso faz toda diferença. Ninguém quer formar leitor para responder prova. Pra preencher ficha literária. Aqui a gente percebe um olhar apaixonado. Dois momentos distintos: show com Ivan Zigg e em seguida Zé Rezende Jr. Apenas com uma cadeira e um livro na mão, e que saiu muito aplaudido. Porque os alunos tiveram contato com os livros antes, eles conheceram aquele escritor. E a Jornada permite que tanto a literatura espetáculo conviva com uma conversa sem nada além do livro, e que vai muito além do ler".


Alessandra Roscoe


A escritora Alessandra Roscoe participa da Jornadinha Literária (Foto rede social)

"O que distingue é abordar o livro de uma maneira mais generosa. A Jornada faz uma ponte para se abrir a literatura a ângulos novos de uma mesma leitura. Todos os eventos deveriam seguir esse caminho. Não trata o livro nem como uma coisa distante, nem como uma coisa de estante (risos). Esse conceito tá enterrado, o de obrigar a ler o livro. Não quer ler agora, vai cantar, vai fazer outra coisa".


Ivan Zigg


Zigg é outro autor da Jornadinha (Foto arquivo pessoal)

"Muda completamente o foco (os alunos lerem antes o livro do autor), porque a gente precisa estimular a literatura e uma das maneiras são esses encontros e principalmente quando há esse contato com o livro. A gente precisa apresentar (o livro). Quanto mais se apresenta, mais eles gostam. Se só tiver acesso às bobagens, eles vão querer as bobagens. Se tiver acesso a coisa boa, eles vão querer coisa boa".


César Obeid


Obeid e sua apresentação para alunos de 11 a 13 anos no Teatro Sesc Newton Rossi. (Foto Andressa Anholete)

"Logo cedo, às 8:30, tive um encontro inspirador com alunos do ensino fundamental de uma escola da Ceilândia. Uma sala repleta de mentes curiosas, participativas e interessadas em descobrir cada detalhe das histórias que narrei. Foi um momento de muitas descobertas, tanto deles quanto minhas. Queriam saber a fonte de inspiração das criações e o que me levou a ser escritor. Percebi que a cada resposta, seus olhinhos brilhavam com a percepção de que as histórias surgem da observação de coisas comuns que fazem parte da vida das pessoas. Viram que uma saudade pode virar um texto, que uma lembrança pode se transformar em fantasia ou que a simples observação de uma folha caindo pode dar início a um texto cheio de encanto e magia. Saí com a certeza de que a Jornadinha Literária é um evento indispensável para a formação de novos leitores, novos pensadores. Vi alegria naquelas crianças, nos professores e em todos que trabalharam pela realização do evento. Tomara que muitos projetos como a Jornadinha Literária se espalhem pelo Brasil e que a literatura cumpra sempre o seu papel de iluminar os caminhos das crianças que estão no princípio de suas jornadas na vida. Parabéns aos organizadores. Vida longa para a Jornadinha Literária."


Marco Miranda


Marco Miranda participa pela 2a. vez seguida da Jornadinha (Foto Andressa Anholete)


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